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15 de Setembro de 2019

Independência ou Morte

Um pensamento reflexivo sobre a politização brasileira e o extremismo ideológico consequencial

Ronaldo de Souza, Estudante
Publicado por Ronaldo de Souza
ano passado

Sabe-se que a nação brasileira, enquanto um conjunto de pessoas alocadas num mesmo espaço físico (o Brasil) e entrelaçadas por um mesmo objetivo (o bem comum), constitui-se em uma democracia emergente cuja consciência política, à semelhança de uma criança que aprende a andar, aos poucos firma os seus pés em solo, sem ainda ter a confiança de saber estar ou não pronto para os desafios que sucedem o ato de caminhar.

Do caso Mensalão à operação Lava-Jato, o brasileiro hoje é a materialização do conjunto idealista proposto por Ihering em seu “A luta pelo Direito”. As escamas parecem terem caído dos olhos sociais e os raios flamejantes da justiça raiado no horizonte da “Ilha de Vera Cruz”. Dito isso, a justiça soa como possível num mundo consumido pela corrupção e a república, como forma e sinônimo de boa gestão, precipuamente na linearidade da inscrição contida na contextualidade do art. 37 da Magna Carta de 1988.

Não obstante, como toda reforma é causa-efeito de uma contrarreforma, bem como a mudança é consectário lógico de uma dinâmica que se abstém da inação pela promoção de uma ação finalisticamente ordenada para um resultado, a reforma política tão almejada exige uma precedente mudança racionalista de visão de mundo que enxergue não apenas o eu enquanto um ser indivisível no quadro social, mas que possa vislumbrar o eu enquanto organismo político de felicidade nacional, apto à fornecer aos demais atores sociais os pressupostos para a construção do bem comum. Ademias, tendo por desiderato a constituição de uma nação politicamente organizada e orquestrada para a dignificação de todos os seus membros, a mudança na postura que fora engendrada pelas ações judiciais supracitadas deram ensejo às visões reacionárias e partidariamente organizadas que hodiernamente são vistos no atual quadro eleitoral. Destarte, como todo processo libertário, a alforria gera extremismos como o foram em quase todas as “lutas” por independência (do fim da escravocracia à emersão de novos modelos sociais), a emancipação política brasileira provê as suas formas extremistas.

Se em tempo passado, num Brasil não tão distante, o candidato Luís Inácio Lula da Silva e o seu partido dos trabalhadores tingiram de vermelho a nação, fazendo-nos até relembrar os velhos tempos de uma poderosa e gigantesca União Soviética, contemporaneamente o liberalismo do PSL tem redesenhado os filamentos ideológicos nacionais, fazendo de Jair Bolsonaro, a nova cara dos corações apaixonados e desejosos por uma nova política. Assim, visto como o ilustre chefe que tem como missão retirar o maior país da América Latina do subdesenvolvimento e, com braço forte, conduzi-lo ao seleto grupo das potências economicamente desenvolvidas, mais um novo protagonista exsurge como o candidato apto à salvação (quase que na mesma toada dos que prometem liquidar as dívidas do contribuinte junto ao SPC e/ou dos que almejam acabar com o desemprego, não tendo conseguido faze-lo nem no estado em que governaram).

O fato é que diferentemente dos países de história milenar (como as nações europeias), o Brasil tem ainda poucos anos de independência e ainda menos de maturação política, levando-se em conta que essa maturidade ainda está sendo processada através de um lenta de vertiginosa mudança de consciência. Isso porque o brasileiro ainda se apega às figuras que propalam as ideologias, e não apenas as ideias políticas que plasmam os partidos e os candidatos. Se assim o fosse, pensar-se-ia que as ideias mesmo que tão boas e inéditas, ainda sim, passam. Os homens ficam. O Estado, perpetua-se. A sociedade amadurece e se pereniza, com o diálogo e a pluralidade. As ideias não devem sufocar o homem, pois dele derivam e se fazem para o seu bem e não devem nascer para o seu mau.

Dessa feita, transpassando o mundo das ideias ao ponto de enxergar no candidato a personificação dos seus anseios, o cidadão brasileiro ainda persiste em idealizar o líder ao invés do representante, num nítido contrassenso ao texto da Carta fundamental que declara, processa e garante os direitos fundamentais do homem residente ou em trânsito no território na República Federativa do Brasil.

Por esse motivo, Bolsonaro fora vítima de um atentado; por esse motivo, grupos petistas perturbam a ordem e a paz social, acampando em frente a superintendência da Policia Federal, em Curitiba; por esse motivo, o juiz Sergio Moro é propagandeado como herói nacional (quando só o que fez, foi o seu trabalho); por esse motivo, pessoas como eu e você passam fome, sede, morrem na fila do SUS, não sabem ler ou escrever, vivem abaixo da linha da miséria, estão desempregados, desolados e desacreditados.

Bolsonaro não é a solução dos problemas nacionais, assim como Lula também não foi e jamais será. Homem nenhum, deste mundo, o será.

Como uma democracia emergente, o Brasil é assolado pelo fantasma do extremismo que precede a racionalização política; as paixões ideológicas que sempre fomentam as ações inconscientes consubstanciadas por atos de inconformismo com o que fora dito ou feito.

Casos como o do Mensalão e da operação Lava-Jato, fizeram que as águas calmas da morosidade e da condescendência fossem perturbadas, rejuvenescendo a opinião política nacional e arrefecendo a esperança da sociedade. Sendo assim, o processo de maturação da consciência política brasileira segue em frente como nunca antes esteve. Inobstante a evolução pragmática do cidadão eleitor, as reações colaterais deste processo são quase sempre vistos e sentidos em atos discriminatórios e/ou de violência extremada (como o foi no atentado ao candidato à presidência da República pelo PSL).

Paralelamente a esses atos, o fato é que a democracia brasileira tem amadurecido; o cidadão tem se conscientizado e a nação, vista sob a angulação de um grupo de homens e mulheres imbuídos na construção de uma nova e inédita republica, tem crescido na proporção de um país desenvolvido. Dito isso, o extremismo que beira o fanatismo, não deve preponderar e superar o processo evolutivo da sociedade brasileira. Se ainda estamos engatinhando, em pouco tempo andaremos e, uma vez de pé, sem dúvida caminharemos a passos largos em direção a um país melhor, onde a pluralidade de ideias seja respeitada, e a democracia, uma forma aperfeiçoada de governo que dignifica o sujeito e dá oportunidades a todos, indistintamente, lastreado na logicidade maior do princípio republicano da igualdade. Para isso, dever-se-á aprender que o campo da luta ideológica se efetiva no front das teses e não no das armas, como o é no confronto beligerante. Ideias só podem ser refutadas, agasalhadas e/ou defendidas com teses e não facas; com retórica e jamais com violência. Posto isso, a democracia emergente será - com a fé que se permita ter na nação – verdadeiramente um Estado de Direito Democrático politicamente legitimo e estruturalmente viável.

1 Comentário

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O crime organizado e a esquerda, que se confundem na mesma coisa, não entendem a linguagem da tolerância e das leis, como vimos.

A esses só resta o uso da força, já que não se trata de mera opinião ou ideologia. Trata-se de criminosos que atentam contra a democracia, estabilidade e vida humana. continuar lendo